Sexta-feira, 20 de Novembro de 2009

Mestre Luandino Vieira

Prémio Camões 2006, José Luandino Vieira foi aplaudido de pé durante a apresentação da sua nova obra, «O Livro dos Guerrilheiros», editado pela Caminho. A apresentação, que decorreu no Fórum Lisboa, esteve a cargo de Ana Paula Tavares, também ela escritora, também ela angolana…


A acústica do Fórum Lisboa não foi a melhor, mas foi suficiente para ouvir os aplausos a Luandino Vieira. Após o escritor ter falado sobre o seu livro, uma pessoa presente na apresentação solicitou palmas ao angolano, recordando que o escritor recusou receber o Prémio Camões em 2006 «por considerar injusto perante outros autores maiores», que nunca foram distinguidos. De pé, a assistência aplaudiu o «mestre», como qualificou Ana Paula Tavares durante a sua apresentação.
 

A angolana não escondeu a sua admiração pelo autor e de forma emocionada falou sobre «O Livro dos Guerrilheiros», defendendo que era uma obra de vozes, «um livro que respeita principalmente as vozes. E contar histórias só está ao alcance de especialistas».

Ana Paula Tavares ressaltou ainda que Luandino Vieira homenageia com a obra os guerrilheiros que lutaram pela independência de Angola (o próprio autor foi um deles), «inclusive a nossa», acrescentou o editor da Caminho, «porque eles também lutaram pela nossa liberdade com as posições políticas que tomaram. Sem a luta daqueles homens não estávamos aqui».

Zeferino Coelho aproveitou a ocasião para agradecer a presença de Luandino Vieira, «que não gosta de apresentações e neste momento está em digressão pelo país». «Ele gosta de estar sentado», revelou entre risos.

Antes de falar, o angolano esteve uns segundos calado a relembrar dois escritores angolanos que morreram recentemente, «entre eles um guerrilheiro». Visivelmente incomodado com o microfone, comprovando que não está à vontade em apresentações, Luandino Vieira agradeceu as palavras de Ana Paula Tavares, «mesmo sem entender algumas tiradas».

O escritor fez questão de salientar que não estava ali como escritor, «mas como homem (…) O mais importante é a amizade que se estabelece entre o leitor e o escritor, mesmo que depois o leitor não leia ou não goste do livro. Como seres humanos estamos fardados a sermos irmãos, mesmo que nos matemos uns aos outros».
 

O angolano agradeceu também as palavras de Zeferino Coelho, ressaltando no entanto que não escolheu o seu destino, que não se lembrava de ter feito grandes meditações ideológicas. «Tive a sorte histórica de ser um jovem num espaço histórico em que tive de dizer Sim ou Não. A mim só me coube ser escolhido porque não escolhi nada». E é parte dessa «sorte histórica» que Luandino Vieira homenageia em «O Livro dos Guerrilheiros», as vozes de homens que, escolhidos ou não, como ele próprio, deram parte de si por um ideal.

 
publicado por saudacoesangolanas às 18:28
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