Segunda-feira, 21 de Setembro de 2009

Agostinho Neto

ImageNuma altura em que se comemora a semana do Herói Nacional, o Jornal de Angola conversou com a esposa do primeiro Presidente da República de Angola. Maria Eugénia falou da sua vida com Neto. Uma ligação que começou com o gosto pela literatura e consolidou-se quando Agostinho Neto foi preso pela terceira vez.

Jornal de Angola
- Em que circunstâncias conheceu o Dr. António Agostinho Neto? 
Maria Eugénia Neto - Eu conheci o camarada Presidente Agostinho Neto era novinha, com os meus 16 a 17 anos. E porque ele frequentava a casa do camarada Humberto Machado que era irmão do camarada Ilídio Machado, que as pessoas dizem que foi o primeiro Presidente do MPLA.
Não confirmo, mas é o que se diz muitas vezes. Humberto Machado, nesse tempo, era estudante e depois da independência foi vice-ministro da Agricultura. Então eu comecei a dar-me com aqueles jovens que eram estudantes provenientes de diversos países que frequentavam a casa do camarada Humberto Machado.

Na casa dele havia muitas reuniões políticas e artísticas. Era uma casa onde se cultivava a amizade. Os marítimos levavam aquela banana vermelha, que eu por acaso gosto muito, não sei se é do Uíje, e igualmente o peixe seco que eles não tinham lá. A mulher do Humberto Machado dava-se com a minha mãe. Foi nesse ambiente que conheci o Presidente Neto, também estudante, mas e ele era muito calado. Foi assim que tudo começou. Ao longo de cinco anos fomos apenas amigos. Então ele foi preso e as coisas começaram a entrar numa outra fase.

JA - Como ficou a amizade com Neto na prisão?
MEN
- Bom ele esteve três vezes na prisão. Eu como era amiga dele, comecei a enviar-lhe bolinhos e aquilo que podia. Às vezes as coisas não chegavam lá e ficavam pelo caminho. Nesse período eu comecei a ler os poemas dele e a conhecer a profundidade da sua personalidade. Eu também andava à procura de alguma coisa especial. Colaborava num jornal de estudantes e comecei a interessar-me por poesia, a estudar línguas, fiz um curso de francês.

JA – A cultura influenciou a amizade de ambos?
MEN
- Sim. Por exemplo, ali os livros circulavam, quem podia comprar, comprava, mas passavam nas mãos de todos, e a mim aqueles estudantes africanos davam tudo para ler. A minha mãe perguntava-me, estás a fazer o quê? Eu estava num canto a ler, a ler. E esses livros que eles liam, eram dos progressistas portugueses e neo-realistas.

Também haviam livros dos americanos e do Jorge Amado, ou do Graciliano Ramos. Os brasileiros forneceram também gente progressista com ideias firmes de mudar o mundo. Eu era profundamente religiosa e com aquela linguagem do Jorge Amado ficava tensa. E foi-se formando também a minha personalidade.

 
publicado por saudacoesangolanas às 14:54
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