Quinta-feira, 14 de Maio de 2009

A riqueza de Angola será pra todos?

ImageA recuperação das vendas de diamantes e das receitas petrolíferas de Angola está a gerar expectativa de que esteja ultrapassado o pior período de que há registo para a indústria extractiva, pilar da economia angolana.

Mankenda Ambroise, ministro angolano das Minas, tem vindo a desdobrar-se em entrevistas nas últimas semanas para revelar que dez minas que haviam sido temporariamente encerradas já voltaram à laboração graças a “sinais positivos” na procura, fortemente deprimida desde o último trimestre do ano passado.

“Não estou a dizer que a crise já acabou, mas que conseguimos mitigar os efeitos da crise (...) Com estes progressos nas vendas, vamos recuperando devagar o nosso equilíbrio financeiro”, afirma.

Angola, quinto maior produtor diamantífero do mundo, tem como objectivo para este ano produzir nove milhões de quilates de diamantes, menos sete por cento do que em 2008.

Os preços recuaram sete por cento no primeiro trimestre do ano, depois de fecharem o ano passado com uma descida de nove por cento, segundo o índice de referência PolishedPrices.com.

Para apoiar a indústria, afectada pela quase paralisação do mercado diamantífero mundial, o governo lançou recentemente um programa de compra de pedras às empresas mineiras, mas Ambroise garante que até agora não foi feita qualquer compra.

Revelou ainda que as empresas que abandonaram Angola com a actual crise não serão autorizadas a regressar, apelando ao mesmo tempo aos investidores para que continuem a apostar na segunda mais importante indústria exportadora do país, a seguir ao petróleo.

Entre as empresas que fizeram as malas está a BHP Billiton, que operava associada à portuguesa Escom e à russa Alrosa nas explorações diamantíferas do Luó, Chimbongo e Camatchia Camagico, segundo revelou recentemente a “newsletter” África Monitor.

Em 2007, a multinacional obtivera cinco novas concessões ao longo do Rio Cuanza, todas consideradas promissoras em termos de potencial de reservas.

Os pequenos projectos foram os mais afectados (fecho de Luarica e Fucaúma), mas a conjuntura adversa acabou por obrigar ao redimensionamento de maiores e apenas as grandes concessões, como Catoca e Chitotolo, atravessaram o período sem perturbações de maior.

Também do petróleo, a grande fonte de receitas e de divisas para Angola, os últimos sinais são encorajadores, com uma recuperação nos últimos dois meses, graças a um ligeiro aumento de produção e de preços, segundo os números avançados no último "Angola Brief", do escritório do Banco Mundial no país.

Em Novembro e Dezembro do ano passado, as receitas fiscais da produção petrolífera representaram, respectivamente, 52 por cento e 46 por cento da média registada nos primeiros dez meses de 2008, e continuaram a agravar-se até Janeiro, quando caíram menos de um terço da média anual de 2008", salienta o documento.
 
publicado por saudacoesangolanas às 16:05
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