Quinta-feira, 14 de Maio de 2009

Afinal era verdade !

ImageO MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola) sempre o disse, mas os seus opositores diziam tratar-se de propaganda. Agora, oficiais portugueses confirmam: a Unita, principal partido angolano da oposição, tinha um acordo de tréguas com o exército colonial, antes da independência do país, em 1975.

O general Bettencourt Rodrigues, comandante da Zona Leste de Angola de 1970 a 1973, confirmou à Rádio Televisão Portuguesa (RTP) que ele próprio assinou um acordo de tréguas entre a Unita e o exército colonial português, em 1972.

Nos termos desse acordo, as tropas portuguesas comprometeram-se a não atacar a Unita numa área à volta da cidade do Luso (hoje Luena), no leste de Angola, enquanto a referida organização recebeu a missão de atacar os guerrilheiros do MPLA, que tentavam estender a luta de libertação do leste para o sul do país.

As declarações do general português constam do 17.º episódio da série televisiva ‘Guerra Colonial’, da RTP, produzida pelo realizador Joaquim Furtado, transmitido esta quarta-feira.

O jornal ‘O Público’, que fez uma pré-publicação das mesmas, acrescenta que o acordo de tréguas foi assinado, pela parte da Unita, por Clemente Jambo e Sabino Sandale. Este último, assim como ex-chefe do estado-maior da Unita, Samuel Chiwale, negam.

Todos os pormenores do acordo – que foi revelado em primeira mão pela revista Afrique-Asie, logo depois do 25 de Abril de 1975 – foram contados com detalhes, no episódio daquela série televisiva, por outros oficiais portugueses envolvidos, como o general Fernando Passos Ramos, o general Costa Santos, o ex-alferes miliciano Benjamim Fernando Almeida e o antigo capitão médico Rolão de Carvalho.

O episódio inclui ainda o depoimento do general Costa Gomes, que era o chefe das tropas portuguesas em Angola naquela época e que chegou a ser Presidente da República em Portugal depois do 25 de Abril, confirmando tudo. Ele disse que o acordo poderia mesmo ter conduzido à nomeação de Jonas Savimbi, então líder da Unita, como governador da província do Bié.

Esta aliança foi frustrada pelos acontecimentos. Depois do 25 de Abril, que pôs fim ao salazarismo e ao colonialismo português, a independência de Angola foi proclamada em 1975 pelo MPLA, que instituiu um regime de partido único.

A Unita iniciou uma guerra, com o apoio dos Estados Unidos e do regime do apartheid sul-africano. Em 1991, o governo e a Unita assinaram um acordo de paz, que levou à realização de eleições em 1992.

Essas eleições foram ganhas pelo MPLA, que, portanto, continuou no poder. A Unita retomou a guerra, que apenas terminou em 2002, depois da morte em combate de Savimbi nas matas do Moxico.

Em 2008, foram realizadas novas eleições vencidas outra vez pelo MPLA.

 
publicado por saudacoesangolanas às 15:57
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