Sexta-feira, 27 de Março de 2009

Ecos da visita de E. dos Santos a Portugal

ImageSim, já sei que muitos não gostam que nós, angolanos, pensemos pela nossa própria cabeça, mas nós somos teimosos. Se não o fôssemos, talvez ainda hoje estivéssemos aos tiros uns com os outros.

A recente visita do presidente José Eduardo dos Santos a Portugal foi um sucesso. Esta avaliação é praticamente unânime. Até o chefe de Estado angolano, conhecido pelo seu estilo sóbrio, não poupou observações encomiásticas.

“Os resultados da nossa visita ultrapassaram as nossas expectativas”, disse ele. Na minha opinião, o facto deve encher de satisfação os angolanos e portugueses de boa vontade.

Desta vez, a própria imprensa portuguesa foi comedida nos seus habituais equívocos (ou mesmo dislates, em inúmeros casos) em relação a Angola, alguns dos quais alimentados por pseudo políticos angolanos, que já não sabem o que hão-de fazer para justificar certas bolsas.

Em vez de regressarem e lutarem pelas suas convicções com coragem, competência e criatividade, como outros o fazem, preferem vegetar no exterior, à espera da chamada de uma qualquer redacção, ONG ou instituição de “estudos estratégicos”, para fazerem as suas análises supostamente “independentes”.

Entretanto, e como toda a regra tem excepção, houve algumas recaídas. Não vou perder tempo, obviamente, com exemplos abjectos. Mas não posso deixar de mencionar o editorial do Diário de Notícias – órgão que se pretende de referência - do dia 10 de Março.

Aparentemente, para o autor do referido texto, o dinheiro angolano é bom, mas Portugal deve ser “politicamente exigente” com Angola. Em causa, alegadamente, estão a construção da democracia e o respeito pelos direitos humanos em Angola.

Sem frontalidade para dizer quais são, afinal, os problemas existentes nesses dois domínios, apenas foram deixadas no ar, aleivosamente, insinuações difusas.

Pelo mesmo jornal, fiquei também a saber que os deputados do Bloco de Esquerda não compareceram ao encontro entre o presidente José Eduardo dos Santos e o presidente da Assembleia da República Portuguesa, Jaime Gama, por “motivos ideológicos”. Digamos que tomei boa nota desse facto.

Pus-me então a pensar. Sim, já sei que muitos não gostam que nós, angolanos, pensemos pela nossa própria cabeça, mas nós somos teimosos. Se não o fôssemos, talvez ainda hoje estivéssemos aos tiros uns com os outros.

Mas fizemos a paz que nós próprios escolhemos e definimos, aplicámos uma política de reconciliação e harmonização rigorosamente autónoma e, apesar das falsas promessas do Ocidente, iniciámos um programa de reconstrução e desenvolvimento concebido por nós e com fundos que o nosso país soube mobilizar no mercado internacional.

 
publicado por saudacoesangolanas às 17:57
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