Quarta-feira, 26 de Novembro de 2008

Pepetela não quer acordo

ImageO escritor angolano Pepetela considera-se um crítico do Acordo Ortográfico, assunto que "nem discuto", disse à Lusa. "Estão a fazer um grande escândalo à volta do Acordo Ortográfico. Para mim, é perder tempo discutir estas questões. Só se houver um acordo radical para escrever da mesma forma em todos os países ou, então, não vale nada", afirmou.

Pepetela, juntamente com Ondjaki, encontra-se no Rio de Janeiro para lançar os seus livros e defender uma maior visibilidade das literaturas africanas de países lusófonos.

Representantes de duas gerações de escritores, Pepetela e Ondjaki lançaram, pela editora Língua Geral, "Predadores" e "Os da minha rua", respectivamente, e encontraram-se com investigadores e alunos de Letras na Universidade Federal do Rio Janeiro.

Sobre a iniciativa de promover o intercâmbio entre escritores de países lusófonos, Pepetela afirma que esta interacção é ainda incipiente.

"Tem havido pouco intercâmbio. Já ocorre aqui no Brasil, mas deveria ser maior entre escritores brasileiros e angolanos. Em Portugal, a literatura angolana é um pouco mais conhecida, mas são alguns autores apenas, os que conseguiram romper com as barreiras fundamentalmente editoriais".

Segundo o escritor, que lutou como militante do MPLA e já publicou 16 livros, ainda há uma carência de divulgação das obras literárias em Angola.

"Os livros são poucos e extremamente caros. Os que têm dinheiro não têm interesse em ler e as obras acabam por ser pouco divulgadas. Não existem livros, não só em Angola, mas em São Tomé, Guiné-Bissau ou em Moçambique", resumiu.

Para Pepetela, não são as diferenças linguísticas que prejudicam a divulgação da literatura, mas o nível baixo do ensino da língua portuguesa e isto é um aspecto que fez com que não houvesse uma grande produção literária.

"Não há muitos novos escritores e não há possibilidade de se fazerem conhecer pois as editoras em Angola voltaram a funcionar há apenas 10 anos", avançou.

O seu romance lançado por uma editora brasileira, mas mantido na versão original em português de Portugal, retrata a actual sociedade angolana. Segundo prefácio de José Eduardo Agualusa "fecha um ciclo de desencanto com a forma como evoluiu o regime angolano desde 1975".

A temática da guerra é uma constante nas suas obras. "Costumo dizer que nós todos somos loucos, porque uma pessoa normal não resiste a tantos anos de guerra. A nossa normalidade é sermos loucos, por isso sobrevivemos", afirmou Pepetela.

Ondjaki, por seu turno, aos 31 anos, representa uma geração de jovens escritores e esta temática não é mencionada de forma directa nas suas obras.

"Ainda não escrevi sobre a guerra de forma directa. A minha literatura retrata muito a história de Angola contemporânea. Os meus livros são em torno de questões que aconteceram nos anos 80 e 90, e os mais recentes retratam acontecimentos sociais, políticos e económicos de depois do ano 2000".

Segundo Ondjaki, as questões da desigualdade social e das consequências da guerra são "as mais gritantes em Angola; estão interligadas e muito presentes. A minha perspectiva é mais optimista: eu gosto de falar de questões sérias numa perspectiva de olhar para a frente e apontar soluções", defende.

Ondjaki é poeta, escritor, artista plástico e cineasta. Já publicou nove obras traduzidas em diversas línguas.

Este ano foi o único escritor africano de língua portuguesa a ser finalista do Prémio Portugal Telecom de Literatura e ganhou em Outubro o prémio literário da Etiópia "Grinzane for Africa", na categoria de jovem escritor.

 
publicado por saudacoesangolanas às 18:47
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